Fertilidade masculina

Idade paterna e fertilidade: o que muda quando o homem decide ser pai mais tarde

O relógio biológico também existe para o homem, só que mais lento. Saiba o que a idade muda no sêmen, na chance de gravidez e o que pode ser avaliado antes de tentar.

Ampulheta antiga com areia escorrendo ao lado de um vaso azul com uma planta verde sobre mesa de madeira, à luz da janela (imagem ilustrativa)
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Em resumo

  • O homem continua produzindo espermatozoides ao longo da vida, mas a qualidade do sêmen tende a cair de forma gradual com a idade.
  • As diretrizes europeias citam a idade paterna avançada como um fator de risco para infertilidade masculina, ao lado da idade da parceira.
  • Com o passar dos anos aumentam doenças que afetam a fertilidade, como diabetes, hipertensão, obesidade e alterações hormonais, e o uso de medicamentos.
  • Quem pretende ser pai mais tarde pode conversar com o médico sobre avaliação, hábitos e, em situações específicas, congelamento de sêmen.

Cada vez mais homens decidem ter filhos depois dos 35, dos 40 ou até mais tarde. Por trás disso há boas razões: estabilidade financeira, novos relacionamentos, carreira. Durante muito tempo se falou que só a mulher tinha um “relógio biológico”. Hoje sabemos que o homem também tem o seu, só que ele anda mais devagar e de forma menos previsível.

O homem não para de produzir espermatozoides, mas a produção muda

Diferente da mulher, que nasce com um número definido de óvulos, o homem produz espermatozoides continuamente a partir da puberdade. Por isso, é possível ser pai em idades avançadas. Mas a qualidade dessa produção não fica igual para sempre. Com os anos, os estudos observam, em média:

  • redução do volume de sêmen;
  • queda da motilidade, ou seja, menos espermatozoides se movendo de forma progressiva;
  • alterações na forma dos espermatozoides;
  • aumento da proporção de espermatozoides com DNA fragmentado;
  • acúmulo de mutações novas nas células que produzem os espermatozoides, porque elas se dividem muitas vezes ao longo da vida.

Essas mudanças são graduais e variam muito de um homem para outro. Há homens de 50 anos com sêmen melhor que o de muitos de 30. A idade é um fator de risco, não um diagnóstico.

O que dizem as diretrizes

A Associação Europeia de Urologia (EAU) cita a idade paterna avançada como um fator de risco associado ao aumento da infertilidade masculina, e lembra que a idade da parceira precisa ser considerada em toda avaliação do casal. Na prática, isso significa que a investigação deve olhar os dois ao mesmo tempo, sem deixar o homem para depois.

A Organização Mundial da Saúde define infertilidade como a ausência de gravidez após 12 meses ou mais de relações regulares sem proteção, e destaca que fatores masculinos e femininos têm peso semelhante.

Os efeitos indiretos da idade

Boa parte do impacto da idade na fertilidade do homem é indireta. Com o tempo, ficam mais comuns:

  • doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e obesidade, que podem afetar hormônios, ereção e qualidade do sêmen;
  • medicamentos de uso contínuo, alguns com efeito na produção de espermatozoides ou na ejaculação;
  • queda da testosterona em parte dos homens, que pode vir com menos desejo sexual e cansaço;
  • dificuldade de ereção ou de ejaculação, que reduz a frequência das relações no período fértil;
  • aumento da próstata e outras condições que mudam o volume do sêmen.

Um ponto importante: quem tem testosterona baixa e deseja ter filhos não deve usar testosterona por conta própria. A testosterona tomada de fora sinaliza ao corpo para reduzir a produção interna e pode diminuir muito, ou até zerar, a produção de espermatozoides. A reposição hormonal só faz sentido com diagnóstico confirmado e indicação médica, e o plano de paternidade precisa ser levado em conta nessa decisão.

E a saúde da criança?

Esse é um tema que costuma preocupar. Estudos populacionais associam a idade paterna mais avançada a um pequeno aumento do risco de algumas condições na criança, ligadas às mutações novas que se acumulam nas células produtoras de espermatozoides. Vale reforçar: o risco absoluto continua baixo para a grande maioria dos casais, e a idade do pai, sozinha, não é motivo para desistir da paternidade. Em situações específicas, essa conversa pode incluir aconselhamento genético.

O que pode ser feito

Não existe forma de “parar o relógio”, mas há atitudes que ajudam:

  1. Avaliação antes de tentar: uma conversa com o médico, exame físico e, quando indicado, espermograma e exames hormonais dão uma fotografia da situação atual.
  2. Controle de doenças crônicas: diabetes, pressão e peso bem controlados favorecem a saúde sexual e reprodutiva.
  3. Revisão de medicamentos e suplementos: alguns podem interferir na fertilidade e podem ser ajustados pelo médico que os prescreveu.
  4. Hábitos: não fumar, moderar o álcool, dormir bem, praticar atividade física e evitar calor excessivo na região dos testículos.
  5. Planejamento: para quem pretende adiar muito a paternidade, ou vai passar por tratamentos que afetam a fertilidade, o congelamento de sêmen pode ser discutido como uma opção.

Perguntas frequentes

A partir de que idade o homem é considerado pai “mais velho”?

Não há um número único. Em pesquisas, os cortes mais usados ficam entre 40 e 45 anos. Mais importante do que a idade isolada é o conjunto: saúde geral, resultados de exames e idade da parceira.

Se meu espermograma for normal, a idade deixa de importar?

Um espermograma dentro dos valores de referência é uma boa notícia, mas não avalia tudo, como a integridade do DNA. A idade da parceira também continua sendo um fator central.

Suplementos ou vitaminas compensam a idade?

Não há evidência de que algum suplemento reverta os efeitos da idade sobre o sêmen. Qualquer uso deve ser conversado com o médico.

Vale a pena congelar sêmen?

Pode valer em situações específicas, como planos de paternidade muito tardia ou tratamentos que podem afetar a fertilidade. É uma decisão individual, tomada na consulta.

O casal deve ser avaliado junto?

Sim. A investigação da fertilidade funciona melhor quando o homem e a mulher são avaliados em paralelo, cada um por seu especialista.

Quando procurar o urologista

  • Você tem mais de 40 anos e o casal tenta engravidar há 6 a 12 meses sem sucesso.
  • Você pensa em adiar a paternidade e quer entender sua situação atual.
  • Você usa medicamentos de uso contínuo ou tem diabetes, hipertensão ou obesidade e planeja ter filhos.
  • Você notou queda do desejo sexual, dificuldade de ereção ou alteração no volume do sêmen.
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Referências

  1. European Association of Urology (EAU). Guidelines on Sexual and Reproductive Health – Male Infertility (fatores de risco, incluindo idade paterna avançada)
  2. American Urological Association / American Society for Reproductive Medicine (AUA/ASRM). Diagnosis and Treatment of Infertility in Men: AUA/ASRM Guideline
  3. Organização Mundial da Saúde (OMS). Infertility – fact sheet
  4. Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Infertilidade masculina – Portal da Urologia

Conteúdo educativo. Não substitui avaliação médica individual. Em uma emergência, procure atendimento imediato.

Dr. Ruston Louback, urologista, em seu consultório
Sobre o autor

Dr. Ruston Louback

Urologista

CRM-MG 58259 | RQE 57530

Urologista (RQE Urologia 57530), com qualificação também em Cirurgia Oncológica (RQE 27853) e Cirurgia Geral (RQE 27852). Atende em consultório no Centro de Manhuaçu-MG. Os artigos deste blog têm caráter educativo e seguem diretrizes de sociedades médicas.

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